A bola na quadra

  
A chuva veio com força e movimentou uma bola na quadra do prédio. Eu saía pra trabalhar e olhei para o leve movimento daquela que foi certamente largada por alguma criança cheia de brinquedos tecnológicos. 

E a cena doeu em mim. Nunca na minha infância uma bola seria abandonada sozinha em uma quadra. A bola, a camisa do time de futebol e a chuteira eram minhas melhores amigas. Era só ganhar umas novas que eu não me desgrudava delas. Até para dormir e sonhar com o gol na final do campeonato da escola. 

Eu sempre fui goleador. Quando magro, era fominha. Quando gordo, ainda sou também fominha. A bola no pé, na cabeça, no ombro, na matada do peito. É ela sempre. Melhor sensação do mundo foi um dia acolhê-la sob a camisa, depois do gol e me engravidar para indicar que a Laura estava vindo ao mundo. E depois fazia o movimento do Bebeto. Isso foi há oito anos! 

É…Esse descaso dessa bola bateu em mim. Será que ela era minha? Será que era da minha filha Laura? Será que eu me preocupei só com a boneca dela e esqueci a coitadinha na quadra? Não é possível. Nunca esqueceria esta que sempre esteve comigo. E até profissionalmente, no meu percurso pelo jornalismo esportivo, ela está juntinho de mim. Fiel! 

Corri até a bola, fiz o gol e gritei na minha mente:

“É DELE! GUIIIIIILHERME! O CRAQUE DA CAMISA NOVE! POR TODOS OS ÂNGULOS PRA VOCÊ CURTIR! GUIIIIIIILHERME!”

Agora é minha! 

Coloquei a bola no porta-malas e fui trabalhar.

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