E eu fiz a Laura dormir…

São alguns minutos. Segundos marcantes de uma mistura de flashback com sonhos, desejos de pai.

Quando a cabeça da minha filha encosta no meu peito e ela já se ajeita para se acomodar melhor, eu sei que é ali que eu preciso colocar toda minha paternidade na prática.

A confiança da minha herdeira em mim é demonstrada neste momento. Ali ela se entrega no meu colo e, sem dizer uma palavra, fala pra mim: “quero ficar aqui a vida toda, cuida de mim, pai”. E o sono começa a vir.

Minha mão carinhosamente começa a mexer nos cabelos da Laura. Bagunçando ou penteando isto é um ritual que é bom tanto pra quem faz, quanto pra quem recebe. A minha mente começa a voltar no tempo. Lembro do primeiro dia que a Laura dormiu no meu peito. Aquele pedaço de gente, já bochechudo e risonho. E eu pensava: vou ser o herói desta criança.

Lembro do dia que começou a andar. Me recordo das primeiras palavras, dos chutes na bola do Corinthians e das risadas sem fim depois de assopros abafados na barriguinha fofa dela. Me lembro da minha colação de grau na faculdade, quando Laura correu para o meu colo, depois que me viu fazendo o discurso para os pais dos formandos.

Ajeito o corpinho de 1 metro e pouco no sofá e começo a pensar no futuro dela. Que seja feliz. Será que vai me dar trabalho? Será que vai ser estudiosa? Será que a Laura virá para o Jornalismo ou vai para Exatas igual o vovô? Ou vai estudar religião, ajudar as pessoas pelo Brasil como a titia?

Ela já dorme profundamente e eu, sonhando acordado, começo a viajar na imaginação. Quero levá-la para a Disney, fazer uma festa lindona de 15 anos, ser parceiro do primeiro namorado e dar conselhos sobre as dificuldades e dúvidas da adolescência. Quero participar das primeiras baladas, como motorista, e dar meu carro quando sair a habilitação. Será que terei paciência nos dias de TPM? Quero receber ligações de “pai, vamos almoçar?” e parar tudo que estou fazendo para cuidar dela, quando precisar. Quero respeitar o momento da vida dela e me conformar com as mudanças que sempre acontecem.

Abro os olhos cheios de lágrimas, escuto a respiração dela e faço um desejo a Deus: que eu tenha sempre a oportunidade de fazê-la dormir em segurança, como agora.

Um abraço.

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5 thoughts on “E eu fiz a Laura dormir…

  1. pois é… um afago, um colo, um cafuné…são momentos que nunca deixarão de ser gostosos, e quando ela estiver adulta e tiver medo de algo, ela encontrará esse colo protetor e vc estará disposto a acolher. Isso é ser pai e vc sabe bem! Parabéns!!!!!!!

  2. Só um filho é capaz de nos mostrar o que é o amor de verdade. Pra vida inteira.
    Mesmo quando não estão por perto, eles estão sempre nos nossos corações e mentes. Lindo texto.

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