Carta para a Laura

São Paulo, 17 de Junho de 2013.

Laura,

Você, hoje, tem quatro anos, mas um dia vai ler sobre o que aconteceu nesta data de 17 de Junho de 2013.

Neste momento você está na praia com a mamãe, curtindo um sol e brincando na piscina…

E o papai foi às ruas protestar por um Brasil melhor.

Papai explica meio por cima, mas pode (deve) entrar no Google e buscar mais informações. “Google” é o nosso pesquisador da internet.

Enfim, mais de 200 mil pessoas, das maiores cidades do Brasil, saíram às ruas para reclamar da situação do país, que está entregue nas mãos de Deus, pra não falar nos bolsos dos petralhas e corruptos.

Começou com um protesto sobre o valor do transporte público. Transporte que seu pai conhece bem, já que foram longos anos da faculdade se apertando no reflexo do descaso dos governantes. Hoje eu não preciso de busão, tenho meu carrinho que batalhamos para conseguir comprar. Entretanto, quero ajudar os outros, os menos favorecidos. O mundo não gira ao nosso redor, Laura. Somos uma sociedade e devemos sempre trabalhar em conjunto.

Acontece que a coisa mudou, cresceu. Neste momento se reclama de tudo que de errado acontece. Inclusive dos gastos enormes com a Copa do Mundo, que vai acontecer em 2014. Foram bilhões com reformas de estádios e arenas novas, enquanto que no nordeste muita gente passa fome ainda, as filas nos hospitais públicos estão matando literalmente as pessoas e outros milhões estão apertados nos ônibus pelo Brasil.

Quando você compreender este texto, quero que se ponha no lugar do seu pai e de todos que foram às ruas. Nós estamos lutando para que você e seus filhos tenham uma vida melhor. Nós queremos um futuro promissor e um Brasil mais justo.

Valorize, Laura, os adultos que lutaram por um país melhor.

Nós dizemos aqui em 2013, filha, que os protestos só eram feitos no Facebook (uma mídia social) e que ninguém tinha coragem de pisar no asfalto para protestar.

Em 17 de Junho de 2013, o Facebook virou realidade e se tornou uma ferramenta de protestos, já que, quem estava na rua, postava dali mesmo e, quem não estava, auxiliava na disseminação de informação útil: “tem policial prendendo celular em tal estação/as pessoas estão falando pra não se aproximar do Palácio!” 

A tendência, Laura, é essa vida virtual se intensificar ainda mais na sua época. Se isso acontecer, não caia totalmente na onda. Fale as coisas, mas aja também.

O cansaço não me deixa escrever mais. Afinal, foi dia de entrar na escola de inglês às 8h, sair às 17h e vir para a Band. Depois da televisão, fui ao protesto com amigos de trabalho. Sem dizer que ainda estou doente e, se sua avó souber que eu realmente fui protestar neste estado, ela me mata.Imagem

Esta foto quem tirou foi uma amiga do papai, a Michelle Trombelli, repórter da BandNews FM e que acompanhou de pertinho o protesto. Quando você for grande, eu combino um café com a Michelle para ela te contar mais deste dia histórico…

É isso, Laura.

Papai te ama.

4 thoughts on “Carta para a Laura

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